Statue of Silenus

 

1st century AD (middle)

Marble

Dimensions: 500 X 1230 X 530 mm

Origin: Roman theatre. This piece was recovered in 1798

TRL.ESC.1

Teatro Romano

Esta estátua retrata Sileno, figura da mitologia greco-romana, tutor e companheiro do deus Dionísio/Baco. A posição reclinada, possivelmente segurando um odre na mão esquerda (o que é sugerido pela abertura que se vê na mão) denota o estado ébrio como era frequentemente representado.

É bem patente a busca de efeitos naturalistas, nos volumes e pregas da barriga, nos caracóis do cabelo, nos pelos da barba e da zona púbica, onde o uso do trépano foi empregue. Esta técnica, aqui usada pontualmente, não denota grande cuidado no seu acabamento já que são notórios os pontos de desbaste.

Esta peça, bem como uma outra similar, foi encontrada no Teatro Romano de Lisboa durante os trabalhos de reconstrução daquela área da cidade após o terramoto de 1755. Estes trabalhos, inicialmente feitos por Manuel Caetano de Sousa foram depois continuados pelo arquiteto italiano Francisco Xavier Fabri, o qual realiza um belo aguarelado da parte central das ruínas. A estátua agora em exposição no museu foi, em 1798, para o Palácio da Anunciada. A outra estátua foi recolhida no agora Museu Nacional de Arqueologia onde ainda hoje se encontra.

Ambas as estátuas teriam, provavelmente, ocupado a parte superior dos nichos retangulares do proscaenium. As faces laterais apresentam um talhe mais esquemático, particularidade que nos indica que as estátuas não se localizariam na base dos nichos, sítio onde apenas ficariam visíveis frontalmente, mas na sua parte superior. Estas duas estátuas encontram-se voltadas para o mesmo lado o que nos pode indicar a existência de outras análogas viradas em sentido inverso.

O melhor paralelo que, provavelmente, se pode apresentar para os Silenos do teatro de Olisipo é o do Teatro de Medellín, também da época de Augusto. Outros paralelos podem ser fornecidos, como acontece no Teatro de Baelo Cláudia (Bolonia, Andaluzia). No decurso de antigas escavações, foram recuperadas duas estátuas de silenos que, de igual modo, decorariam o muro do pulpitum e integrariam uma fonte arquitetónica do tipo scaena frons. Os nichos encontravam-se tapados frontalmente ao nível do solo por placas de mármore, transformando as exedrae retangulares em pequenos tanques. Estes exemplares foram datados do séc. II. Também no teatro romano de Itálica (Sainti Ponce, Sevilha) encontram-se esculturas a decorar a parte superior do proscaenium, ainda que aqui sejam ninfas e não silenos.

A decoração de espaços cénicos no mundo romano com estátuas deste tipo é bastante vulgar. Tal pode ser observado no teatro de Dgemilla, em Arlles, em Caere, Triest, ou Mérida. Por vezes, em vez de Silenos ou divindades masculinas relacionadas com o culto a Dionísio, encontramos estátuas femininas, ménades ou ninfas, como referido no caso de itálica, relacionadas com o culto das águas na tradição das ninfas aquáticas. Esta representação bastante mais vulgar, decorava fontes e ninfeus, quer em espaços públicos, quer em locais privados.