Perspective of Lisbon

 

Franz Hogenberg (1535-1590)

c.1593

Woodcut

Dimensions: 385 x 540 mm

MC.GRA.1691

Palácio Pimenta

Vista de Lisboa em perpectiva aérea, muito em voga na época, inserida na obra de George Braunio, Civitatis Orbis Terrarum, Amesterdão, 1598, vol. V. Nela é mostrada a cidade entre a zona do Convento da Esperança, a ocidente, até  ao Campo de Santa Clara, a oriente. Evidencia-se a diferença entre o urbanismo orgânico intramuros e o traçado ortogonal do novo bairro de Vila Nova de Andrade, cujos contornos correspondem, parcialmente, ao atual Bairro Alto. Apresenta ainda o levantamento dos principais edifícios da cidade à época, registados e identificados em 140 legendas remissas em latim. 

O rei D. Manuel I (1495 – 1521) utilizou a arquitetura e o urbanismo enquanto instrumentos de governação. Acompanhando o fenómeno dos Descobrimentos, a cidade ampliou-se, rompendo definitivamente os limites das muralhas. Situado até então na Alcáçova, o Paço Real, juntamente com alguns edifícios do aparelho empresarial estatal, no início do séc. XVI deslocou-se para junto do Tejo. Polarizados pela presença do Palácio da Ribeira, instituições como a Casa da Índia, a Alfândega Nova e o Terreiro do Trigo, entre outras, distribuíram-se em torno do Terreiro do Paço. A área, onde de concentravam também os estaleiros navais e demais armazéns, constituía o novo centro da capital, substituindo definitivamente nessa qualidade a vizinha Rua Nova. 

O Mosteiro de Santa Maria de Belém, iniciado por volta de 1501 a cerca de uma légua do núcleo urbano da capital, configurava-se como um catalisador do crescimento da urbe no sentido do ocidente. Na zona oriental, este papel competia ao Convento da Madre de Deus mandado edificar no sítio de Xabregas pela rainha D. Leonor em 1509.