Baroque panel of wall tiles with Saint Marcial

 

Bartolomeu Antunes (attributed)

Lisbon

18th century (middle)

Faience

Dimensions: 1120 x 700 mm

Origin: Travessa da Nazaré, 11-21 (Palácio Távora)

MC.AZU.17

Palácio Pimenta

A escassez de água em Lisboa, a falta de meios eficazes no combate aos fogos, a par do seu traçado urbano, de ruas estreitas e tortuosas, e o tipo de materiais utilizados nos edifícios, tornaram a capital vulnerável a incêndios. A situação provocou um medo endémico ao fogo entre os habitantes da cidade, temor coletivo que tomaria proporções inimagináveis na sequência do Terramoto de 1755 e dos incêndios que se lhe seguiram. Após a catástrofe assiste-se a um forte incremento da devoção a São Marçal, protetor contra os incêndios, sendo de tal ordem o desenvolvimento do seu culto, que durante a 2ª metade do século XVIII, o número de registos em azulejos que se conhece, onde surge representado, ultrapassa o de Santo António. Nestes painéis aparece sempre com vestes e atributos de bispo, a fazer o sinal de bênção, tendo ainda habitualmente, como pano de fundo, casas em chamas, embora tal não se verifique neste exemplo.

Os registos em azulejo multiplicaram-se sobretudo a partir de meados do século XVIII, tendo a sua produção sido muitas vezes determinadas por catástrofes naturais e surtos epidémicos, cujo efeito influenciava as mentalidades, dado acreditar-se que a ira e a justiça divinas eram determinantes em tais fenómenos. Os registos configuravam, neste contexto, um poderoso auxílio através da intercessão da Virgem ou de santos da devoção de cada um junto do Altíssimo, para a proteção e a sobrevivência do lar e seus habitantes.