Saudades da Rua da Saudade. O teatro romano e a sua envolvente nas memórias da cidade

No âmbito do projeto museológico de ligação à comunidade, “Saudades da Rua da Saudade. O teatro romano e a sua envolvente nas memórias da cidade”, o Museu de Lisboa – Teatro Romano apresenta o espetáculo de tributo a Ary dos Santos, 21 de outubro, 21h, uma exposição e um livro, ambos apresentados no dia 9 novembro, às 18h.

 

Espetáculo “Saudades da Rua da Saudade – tributo a Ary dos Santos”

- Museu de Lisboa –Teatro Romano: nas ruínas do teatro, frente à Rua de São Mamede nº 3 A: 21 de outubro 21h; entrada gratuita; sujeita à lotação do espaço; M/ 6 anos

 

Exposição e apresentação da publicação “Saudades da Rua da Saudade – o teatro romano e a sua envolvente nas memórias da cidade”

- Galeria de Exposições da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior: 9 de novembro 18h30, entrada gratuita; inauguração da exposição e apresentação do livro

 

 

Procura-se resgatar da memória alguns dos episódios mais marcantes da história recente desta zona da cidade. As escavações do monumento romano realizadas na década de 1960, a alteração do espaço construído e algumas facetas de sociabilidade tão distinta da de agora, que perduraram até há pouco tempo, são alguns dos muitos aspetos que se pretendem trazer para o presente. Apenas conhecendo melhor o passado se percebe o presente e se criam laços identitários. Este é o objetivo do Museu de Lisboa – Teatro Romano: o dar a conhecer um passado que é de todos com vista a reforçar os elos comunitários através da música, da história e da memória. Em 2017, este projeto engloba a realização de um espetáculo de música, um tributo ao poeta Ary dos Santos (antigo morador da Rua da Saudade), a realização de uma exposição e a apresentação de uma publicação.

 

O facto de um monumento romano do século I d.C. permanecer no coração de uma capital é notável. Se pensarmos que sobreviveu ao casario compacto que sobre ele se erigiu, aos muitos terramotos que assolaram a cidade e à pilhagem de quase todas as suas pedras que permitiram reerguer a cidade após o terramoto de 1755, é verdadeiramente admirável que ele subsista, reconhecível, sob o chão que pisamos.

 

A reabertura do Museu de Lisboa – Teatro Romano em 2015, após obras de renovação e valorização implementadas nos dois anos anteriores, levou a que se preconizasse uma maior divulgação deste equipamento após o período de encerramento. O objetivo é, naturalmente, divulgar o museu, mas também torná-lo mais acolhedor junto do público e muito especialmente pela população local, uma vez que se pretende que este espaço seja entendido também como um centro de encontro e partilha para além da natural divulgação do monumento romano e da história do sítio.

 

Desde a reabertura do museu (setembro de 2015), o Museu de Lisboa - Teatro Romano oferece uma programação variada a todos quantos veem no museu um local de partilha de conhecimentos. Palestras, visitas guiadas, percursos na envolvente do museu, encenações clássicas nas ruínas e múltiplas outras atividades têm demonstrado um interesse crescente por este museu. Uma das atividades de maior sucesso é a “Hora de Baco”. Nas últimas quintas-feiras de cada mês, entre as 18h e as 20h, o museu abre gratuitamente, oferecendo, de forma informal, pequenos concertos musicais acompanhados de provas de vinhos patrocinadas pela Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Recupera-se, afinal, a função do post scaenium dos teatros romanos: por detrás da fachada cénica dos teatros latinos localizavam-se grandes praças, onde a população se entretinha antes e no final dos espetáculos. Queremos, deste modo, abrir o museu a todos, em horário alargado, e promover esta iniciativa da “Hora de Baco como um elo de ligação da comunidade desta nova intensa e extensa freguesia de Lisboa: Santa Maria Maior.

 

Tecer uma teia de relações que una populações tão diversas como as que habitam o território vasto que se estende desde a Baixa Pombalina a São Vicente, Santo Estevão, o Bairro do Castelo ou a zona da Sé, constitui um desafio difícil, mas verdadeiramente aliciante. Neste intento, o papel da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior tem sido decisivo e é também por essa razão que museus e instituições locais têm de unir esforços para formar uma rede informativa fortemente identitária. Na “Hora de Baco” apela-se aos vizinhos do Museu de Lisboa-Teatro Romano que venham encontrar-se e fruir este local, que queremos que vejam como seu.

 

Já no projeto Saudades da Rua da Saudade” é o Museu de Lisboa quem sai ao encontro dos vizinhos mais antigos, querendo conhece-los e registar as memórias que ainda persistam sobre o longo processo de implantação deste equipamento cultural na zona em que residem. São simultaneamente recordações e informações preciosas para um mais profundo conhecimento do teatro romano e para a compreensão do impacto social das campanhas arqueológicas no local. Iniciado ainda no final de 2016, entende-se como um projeto de continuidade que vá recolhendo este património imaterial. Os resultados deste primeiro ano de investigação do projeto “Saudades da Rua da Saudade” junto da comunidade local serão apresentados ao público através de uma exposição que inaugura a 9 de novembro, na Galeria de Exposições da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (patente até fevereiro de 2018) e de um espetáculo musical nas ruínas do teatro romano no dia 21 de outubro. A entrada é gratuita (sujeita à lotação) em todos os eventos, abrindo-se as ruínas do teatro romano a toda a comunidade de vizinhos e a todo o público.

 

Num território tão ligado ao Fado e à Música Popular, pensamos que as saudades da Rua da Saudade (um dos arruamentos fronteiro ao Teatro Romano) não poderiam deixar de estar associadas a Ary dos Santos, poeta que aí residiu até à sua morte em 1984. Assim, pedimos a colaboração dos “Flor de Sal” (grupo de música tradicional/world music) e da fadista Marifá (residente na Mouraria) para oferecer a Lisboa um espetáculo que se pretende ser simultaneamente um Tributo a Ary dos Santos e à tradição cultural desta área tão antiga da cidade. Porque a música popular, também ela, tem uma história, é diversa e evolui, o Museu de Lisboa – Teatro Romano dá o seu contributo para o aliar da tradição à modernidade, para a partilha de histórias que façam do quotidiano e do futuro lugares melhores para viver e pensar.

Entrada gratuita, sujeita à lotação

 

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