Escultura (fragmento de drapeado)

Séc. I d.C. (meados)

Mármore

Dimensões: 160 X 90 mm

Proveniência: Teatro romano. Intervenção arqueológica de 1965-1967

TRL/1965-1967/362/398

Teatro Romano

Fragmento de estátua representando, na face decorada, o drapeado de uma veste. O trabalho técnico evidencia uma elevada qualidade. A utilização do trépano foi bem dissimulada pelo polimento final da superfície, facto que contribui para o alcance de um elevado grau de naturalismo e realismo.

Pela diminuta dimensão deste exemplar é impossível atribuir-lhe uma cronologia precisa ou indicar paralelos que nos permitam uma identificação iconográfica. O drapeado caído tanto poderá pertencer a uma figura feminina, como a uma estátua de um togado, correspondendo assim e respetivamente, ou a uma stola ou a uma palla. 

Este e outro fragmento semelhante, também recolhido nas antigas escavações realizadas no teatro romano de Lisboa, poderão pertencer a uma mesma estátua, quer pela idêntica técnica empregue, quer pelo tipo de drapeado representado. As pregas longitudinais indiciam um talhe bem pronunciado, com volumetria acentuada, oferecendo distintas profundidades que resultam em evidentes efeitos naturalistas. Os contrastes de claro/escuro e a plasticidade e mobilidade que se podem observar em fragmentos escultóricos de tão diminutas dimensões, a par da sua contextualização na política de renovação decorativa ocorrida no Teatro de Olisipo, permitem atribuir uma cronologia de meados do séc. I d.C. 

O segundo fragmento, de menores dimensões, apresenta também um drapeado de veste, com relevo bem pronunciado, realizado a trépano, e ostenta parte de uma roseta relevada com botão central rebaixado. Os pontos de união das pétalas (limite exterior) são marcados por pontos de trépano. Este elemento reforça a ideia de se tratar de uma figura feminina.

As estátuas com roupagens, correspondendo a uma tradição greco-helenística, representam as virtudes da matrona romana e eram habituais na decoração de alguns edifícios públicos, sendo assim provável que esta estátua, quer represente uma imagem feminina quer masculina, decorasse o Teatro de Lisboa. Deste modo, a colocação deste tipo de imagética representando figuras públicas ou divindades, quer na frente cénica do teatro, quer em outros locais era uma prática habitual.