Pratos (fragmentos)

Séc. XIV

Cerâmica comum com revestimento vidrado

Dimensões: fundo: 310 mm; espessura min. do fundo: 3 mm; espessura max. do fundo: 10 mm; espessura parede: 6 mm

Proveniência: Teatro Romano de Lisboa. Intervenção arqueológica de 2005 (estrutura hidráulica, área do pátio)

TRL /05/751/752/753/754

Teatro Romano

Fragmento de um fundo plano de prato vidrado. A pasta é de cor bege muito clara, quase branca, caulínica, medianamente depurada e homogénea com componentes que nos indicam uma produção que se distancia dos fabricos nacionais.

O vidrado é muito brilhante, de cor verde na face inferior e amarelo muito claro na parte superior, possuindo decoração pintada a óxido de cobre, de tonalidade verde mais clara delimitada com manganês. A decoração apresenta diversos motivos estilizados - palmetas, estrelas e o início de um motivo circular, preenchido a amarelo mais escuro.

Do ponto de vista decorativo estes exemplares não apresentam qualquer novidade relativamente às produções verde e manganês de Paterna/Manises, de outras oficinas no Sul de Espanha ou mesmo das de Kairouan, no Norte de África. O recurso às usuais palmetas estilizadas, estrelas em manganês, pinhas, etc., não difere muito das tipologias das suas produções, onde as formas abertas têm uma maior representatividade quando comparadas com as produções do Norte da Europa.

Todavia, considerando-se o tipo de vidrado de chumbo, muito brilhante, e o tipo de pasta (caulínica), tudo indica que se trate de uma produção francesa que poderá corresponder a produções de Saintonge, da zona da Provença-Languedoc, ou ainda de Saint-Quentin-la-Poterie (Uzège). No que respeita à produção de formas abertas em Saintonge, sabemos que estas são pouco frequentes, ainda que a introdução de novas formas, incluindo as abertas, tenha tido grande desenvolvimento a partir de meados do séc. XIV. As características evidenciadas por estes exemplares apontam para que se trate de uma produção típica de Saintonge.