Talha

Séc. XVIII (finais )

Barro

Dimensões: A 930 mm; Ø máximo – 700; Ø boca – 370 mm

Proveniência: Teatro romano. Intervenção arqueológica de 2005 (contexto do Celeiro da Mitra)

TRL/05/2678

Teatro Romano

Talha de perfil arredondado e espessado, com base plana de reduzido diâmetro e bordo extrovertido. No bojo observam-se três cordões decorativos de perfil relevado. No colo, logo abaixo do bordo encontra-se representado um signo-saimão com um octograma, ou estrela, de oito pontas, desenhado por incisão a partir de quatro triângulos entrecruzados. Cada uma das pontas é rematada por três pequenos círculos impressos, estando outro pequeno círculo a marcar o centro desta composição. Este signo tem efeitos de esconjuro e de proteção contra o mau-olhado, claramente com uma função apotropaica, sendo habitual a sua presença em múltiplos objetos, como cerâmicas, como o caso vertente, mas também nas cangas de bois, na ourivesaria (sobretudo a filigrana minhota) em amuletos e em medalhas.

Esta peça, a par de dez outras semelhantes, foi exumada em 2005 no decurso da intervenção arqueológica no pátio do Museu do Teatro Romano (Rua de S. Mamede nº 3), espaço pertencente ao antigo Celeiro da Mitra, e que terá funcionado no sítio onde hoje se localiza a parte superior do Museu com entrada pela Rua de S. Mamede.

A intervenção arqueológica realizada permitiu conhecer a forma como estes contentores cerâmicos eram utilizados. As bases, de dimensões muito reduzidas, indicam-nos que os potes seriam enterrados, ficando à vista apenas a respetiva boca por onde eram colocados e tirados os produtos armazenados. Estas peças destinavam-se maioritariamente ao armazenamento de cereais, ainda que uma das talhas, revestida a vidrado amarelado no interior, se destinasse ao armazenamento de azeite.