Terreiro do Paço no século XVII

Dirk Stoop

1662

Óleo s/ tela

Dimensões: 1230 mm X 1725 mm

MC.PIN.261

Palácio Pimenta

Constitui uma das mais relevantes vistas do Terreiro do Paço nos meados do séc. XVII e um importante testemunho para o conhecimento da sociedade da época.

Marcando cenograficamente toda a composição, o Paço da Ribeira destaca-se com o torreão de Filippo Terzi, ou de Juan Herrera, a Casa da Rainha e a Galeria das Damas. Ao fundo, na colina, sobressai o Convento de S. Francisco da Cidade. Na praça, o pulsar da cidade evidencia-se pelo deambular de crianças, cavaleiros, fidalgos, alguns acompanhados de criados ou moços militares, homens do clero e diversos tipos populares. Junto do chafariz de Apolo, aguadeiros enchem bilhas enquanto outros se envolvem numa rixa.

A obra foi identificada por Susana Varela Flor como sendo uma eventual representação da chegada a Lisboa de D. Francisco de Mello e Torres, Conde da Ponte e Embaixador Extraordinário de Portugal em Londres, após a assinatura do Tratado de Whitehall (1661).

Embora existam dúvidas quanto à identidade dos cavaleiros em primeiro plano, provavelmente o encomendador da obra, a narrativa contextualiza todo um episódio diplomático de primordial importância para a consolidação da restauração da independência de Portugal depois da união dinástica com Espanha.

Destaca-se a figura de D. Francisco de Mello e Torres, no interior do coche e ostentando na capa a Cruz da Ordem de Cristo. Atrás dele, segue um grupo de cavaleiros da mesma Ordem e, no lado direito da composição, a guarda-real presta as honras pela sua chegada.

No centro da composição, próximo do chafariz de Apolo, surgem as figuras centrais de toda a narrativa pictórica – D. Catarina de Bragança, passeando com a sua mãe, D. Luísa de Gusmão, e uma dama de companhia com traje de monja, possivelmente D. Isabel da Madre de Deus.

Junto ao rio é representado o embarque do dote de D. Catarina, supervisionado por ingleses, identificados pela diferença dos trajes que usam.